Numa sexta feira a amiga do Henk convidou nos para ver uma apresentação de balões na cidade vizinha. E eu fiquei pensando em como poderia ser isto durante `a noite. Será os balões voando? O que eles vão fazer? Fiquei curiosa o dia todo.
Então fomos para a casa desta amiga, tomamos o tradicional café e lá fomos nós. A apresentação era num parque, destes com um lago onde as pessoas costumam tomar sol. Estava muito escuro e a minha sorte que eu estava de sapatos baixos, porque eles afundavam na grama molhada. Compramos o ingresso que custou quatro euros, escolhemos um lugar e ficamos esperando, algumas pessoas levaram cadeiras e estavam sentadas confortavelmente. Olhei ao redor para ver se tinham barracas de comidas ou bebidas, mas nada! E pensei que se fosse no Brasil, teriam várias pessoas vendendo coisas para comer e beber, alugando cadeiras, tomando conta do estacionamento que era grátis.
O lugar foi ficando cheio de pessoas, nada de começar e eu com uma vontade de sentar. Dava pra ver de longe a movimentação das pessoas preparando os balões. E no meio da escuridão surge um pouco de luz. Começa uma música italiana e os balões vão sendo iluminados por spots de luzes conforme o ritmo da música, às vezes iluminados apenas pela chama de ar quente dentro do balão, dá a impressão que eles dançam e a música vai sendo trocada por outros ritmos mais rápidos. E eu pensei... É só isso? Eis que surgem agora fogos de artíficio, me lembrei de Copacabana no final do ano é que este tipo de fogos me remete direto ao Reveillon. Na verdade eu gostei um pouco, foi diferente, mas muito parado. No final achamos um lugar para beber, com cervejas e refrigerantes, tudo gelado! E para mim o tempo estava frio, mas nada de chuva, ainda bem!!!

Quase no último dia resolvemos visitar mais uma cidade, eu deveria escolher entre Amsterdã e Alkmaar. Adoro Amsterdã mais eu já conheço, então escolhi Alkmaar que é considerada a capital do queijo, onde acontecem festivais e competições de queijo. É também um centro turístico, fomos de carro num dia chuvoso e frio.
Infelizmente não era o dia do mercado do queijo, uma tradição que já dura mais de 500 anos, onde reúnem-se vários holandeses vendendo seus queijos Gouda, Emental e Edam. Vou colocar uma foto para vocês terem uma idéia.

Para conhecer os monumentos e lugares típicos decidimos fazer uma passeio de barco através dos canais. O barco era longo e estreito, estava lotado de pessoas, a maioria alemães em férias, sentamos nos últimos bancos porque o Henk queria fazer boas fotos sem atrapalhar ninguém. E começa o passeio, a mocinha narrando os lugares... De repente o barco parou em frente de uma ponte muito baixa, achei que era para vermos algum ponto turístico melhor. E o Henk disse que não, iríamos passar embaixo da pontezinha, mas como? Só se eu deixar a metade da minha cabeça por lá.

E recebemos instruções para abaixar bastante e deixar os braços dentro do barco. E o passeio continuou, só que agora todas as pontes eram muito baixas, era preciso deitar no banco, os alemães grandes precisavam deitar no chão, muito engraçado! Não foi possível segurar minhas risadas, eu tive um ataque e não conseguia mais prestar atenção em nada, o passeio tornou-se interativo. E agora as pessoas faziam brincadeiras, pediam o dinheiro de volta, falavam que isto era uma ginástica e pensar que eu paguei por isto! Dava medo de bater a cabeça na ponte, mas que emoção!!!
É lógico que não poderíamos voltar sem o tradicional queijo, experimentamos e compramos um pacote com 03 queijos diferentes, bem gostoso! Para os holandeses o queijo precisa ter vários anos, vou tentar explicar melhor... O queijo que eu compro no mercado tem exatamente 48 meses, ou seja quanto mais velho melhor!

Outra tradiçao holandesa são os realejos gigantes, quase sempre montados em reboques e que são encontrados em vários pontos da cidade. Com bonequinhos vestindo roupas típicas, sempre coloridos e tocando uma musiquinha alegre, para demonstrar que gostou da obra, pode-se dar algumas moedinhas para o artesão. Eu fiz melhor, pedi moedinhas para as pessoas que passavam na rua!

E pela primeira vez comi as poffertjes (panquequinhas), um prato com umas 08 panquequinhas quentes, com muita manteiga em cima e bastante açúcar de confeiteiro, uma delícia! O passeio foi bem divertido tirando a chuva que insistiu em permanecer o dia todo!


Eu já tive medo de muitas coisas nesta vida, de cliente bravo, de dirigir, de nadar, do primeiro dia de trabalho, da faculdade, dos exames, mas de entrar na igreja segurando um bebê foi a primeira vez! Como uma coisinha tão fofa pode meter medo em uma pessoa com 36 anos de vida?
No sábado à tarde fui para minha sogra e no domingo saímos bem cedo para cada da minha cunhada que tem 03 meninas lindas com cabelinhos encaracolados loiros, era o dia do batismo da mais nova. Recebi as instruções de como deveria ser e o que eu precisava fazer, parecia uma tarefa fácil.

Chegamos numa igreja luterana e aí me deixaram com o bebê numa salinha, perguntei: -Vou ficar sozinha? Ufa! O Henk resolveu ficar comigo, ainda bem! Na sala tinha mais um bebê acompanhado da avó, sorte dele. Eu e o Henk marinheiros de primeira viagem, nos empolgamos e começamos a tirar fotos, o bebê que estava quietinho no carrinho de repente começou a chorar, peguei a mamadeira e desastrada derramei metade do leite na minha calça, ainda bem que sobrou, dei o restante... Parou de chorar e começou a soluçar. E agora? O que faço? Fiquei pensando que era porque ela não arrotou depois de mamar, mas o soluço não ia embora. Resolvo pegar no colo e embalar um pouquinho, revezo com o Henk. E o outro bebê dormindo. Num determinado momento colocamos o vestido branco no bebê e eu pergunto para a avó que estava lá como eu deveria segurar, ela me ensina e diz que o vestido tem que aparecer. O Henk saí da sala para fazer algumas fotos e eu lá nervosa. Abre a porta da salinha onde eu estava e saímos, um frio na barriga, a igreja toda olhando, a avó foi na frente e eu prestando atenção e fazendo igual. Fiquei até com medo de tropeçar. Gente, eu tava com tanta vergonha que as fotos na igreja eu tô olhando pro chão. Mas enfim deu tudo certo, levo o bebê até a mãe, agora posso sentar e assitir tudo calmamente. Henk fica emocionado e eu também! Compramos um presente para lembrar a data, uma pulseirinha de prata com o nome do bebê, mas normalmente eles ganham correntinhas com joaninha, mas eu não sei porquê?

Depois de tudo isto fomos pra casa da minha cunhada e tinha alguns convidados e crianças, comemos bolo, acredita que era bolo?! A primeira vez que comi, achei que aqui só tinha a famosa torta. E passamos a tarde toda comendo pães, saladas, sopas. Isto é muito bom para mim, porque preciso aprender os hábitos holandeses. E por fim fiquei brincando com as crianças que me deixaram exausta!
Me senti muito lisonjeada de carregar o bebê, não sei o que significa, mas agora além da minha família brasileira eu tenho uma família holandesa que gosta muito de mim. E nesta foto estou com a Renske (o bebê ), a Harmcke e faltou a Fenna.
|
||
![]() | ||
![]() | ||
|
||