
Agora não tem jeito, já tô sentindo o friozinho. Acordo de manhã vou para escola toda empacotada com casaco, bota, boina e enquanto pedalo sempre com a impressão de que estou atrasada, vejo os holandeses com apenas uma blusa ou um casaco de chuva. Ai! Como isso me dói! Mas dentro da classe é quente, será que existe algum lugar por aqui sem calefação? Acho que não! E na porta da classe tem um cabideiro grande para colocar os casacos, é claro como boa brasileira não coloco o meu lá, tenho medo de alguém levá-lo por engano mas nunca vi ninguém pegando nada, nem por engano. As pessoas deixam as bicicletas com coisas dentro e ninguém mexe, estranho... Não acostumei ainda.
O exterminador de folhas
Todos sabem que no outono as folhas caem, deixando o chão amarelinho, lindo! A primeira vez que vi um homem limpando morri de medo, parecia o "exterminador do futuro", segurando na mão um aparelho parecido com um cano grosso, com um vento forte para recolher as folhas, hummmm logo pensei que seria ótimo para secar meu cabelo. Aliás eu fico que nem besta olhando os apetrechos, o lixo é reciclado e vi como recolhem os vidros, eu achava que era uma caixa pequena mas a parte maior fica embaixo da terra e o caminhão suspende tudo, abre e lá se vão os vidros embora. Da outra vez vi um rapaz cortando a grama com um carrinho que parecia de golfe, até eu poderia fazer isto. E lavando as ruas? Vem um caminhão grande com escovas grandes embaixo e água. A maneira como recolhem o lixo é interessante, os moradores deixam o lixo (um cesto grande de plástico com rodinhas, o pior que são todos iguais) na beira da rua, vem um caminhão encosta, desce um homem que fica com um controle na mão, pegando os lixos e jogando na caçamba, parece que tá jogando vídeo game.
Cesto de lixo padronizado.
Uma pena que para limpar a casa não seja tão moderno, já falei que aqui tem um produto para cada coisa, um para o tapete, um para o azulejo, um para o piso, um para o fogão, um para os vidros... Meu Deus! No Brasil o povo pega um pedaço de sabão e limpa a casa inteira. Não dá para ser faxineira neste país, precisa primeiro fazer um curso intensivo. Eu limpei os azulejos do banheiro com limpa vidros, ficaram brilhando!!!
E com o friozinho a moleza vem, fico em casa parecendo um mendigo, uma roupa em cima da outra, mas tudo bem, para receber visitas é preciso agendar, ninguém chega de uma hora para outra. E me dá vontade de comer coisas gostosas e quentinhas... Chocolates, docinhos, bolachinhas. Um perigo para engordar!!!
E as pessoas adoram vestir com sobreposição de roupa, sabe como é isto? Veste uma camisa por cima uma camiseta regata, outras vezes colocam um vestido com calça jeans, cinto, o pior que vi até hoje foi shorts e saia jeans com meia fina preta e bota branca. Quase esqueço, tem as calças curtas com botae e fica aparecendo um pedaço da perna. Vixe maria uma mistureba! Não consigo fazer isto. Pra mim calça é calça, vestido é vestido e paca é paca!

E os amigos da escola me dizem que ainda não está frio. Ah!? Como assim?! Então a tendência é piorar? Mais frio, chuva e no final do ano...Neve?! Tô começando a ficar preocupada! Já sei que este país é úmido na maioria do tempo. E voltando da escola peguei uma chuva, eu de bicicleta pedalando rápido, pensando que ia adiantar, mas cheguei ensopada em casa. Ainda não consigo pilotar a bicicleta e um guarda chuva na mão, nunca fui boa em coordenação!

É lógico que eu não poderia de deixar de ver a parte da América, principalmente a do Sul. Gentemmm, era uma floresta enorme, me senti no meio da Amazônia, com passáros, plantas, rios, cachoeiras e o melhor um banquinho para sentar e ficar admirando tudo! Tinha até piranhas, o peixe, é claro! E quando fui ver a exposição, vi fotos de índios Kaiapó, sabiam que eram do Brasil, mas não de qual lugar?? Fiquei feliz, mostrei para minha cunhada e sobrinhas. Continuei olhando, vi cocares, colares, adereços e de repente um mamão. O primeiro que vi desde quando cheguei aqui e dentro de uma caixa de vidro, ai que vontade que me deu!!!!

Depois de tanto andar e correr com minhas sobrinhas, resolvemos parar e comer, ainda bem!!! Comida super saudável, batatas fritas, croquete, pãozinhos e refrigerante. As crianças comeram rápido e foram para o parquinho e desta vez o Henk foi junto me dando um descanso, fiquei sentada tomando um solzinho gostoso e tentando falar holandês com meus parentes. E parece que escutei português, será?! Olho e vejo uma moça com boina e um rapaz, pensei... Não!

E fomos andar mais, desta vez um lugar muito escuro, um cenário de uma casa, algumas ruas com ratos e podiamos ver pelo vidro, que nojo! Depois foram aumentando de tamanho eram chicchilas, ramster, coelhos. Num outro lugar galinhas e pintinhos, me perguntei o que eles estavam fazendo no zoo? E lembrei que estou na Europa e as pessoas não criam galinhas e talvez nunca viram pintinhos, muito engraçado ver o povo tirando fotos. E o Henk não sabia que chamavam pintinhos, deu risada!
Em um parte tinham cabras pequenas e as crianças podiam entrar e ver de perto os bichinhos. Agora vejo de novo a moça de boina e tenho certeza que falou em português. Continuamos andando desta vez vimos os macacos pequenos, grandes e na verdade eu já tava morta!
Engraçado que minha sogra levou uma bolsinha com dinheiro e quando queriamos comer ou beber alguma coisa ia até ela, pegavamos uns trocados e depois devolvíamos a bolsa. Paramos para tomar sorvete e ficamos sentados olhando as focas. Eu reclamei do preço da entrada, mas valeu a pena, vi tantos animais, o Henk tirou foto do hipopótamo comendo maçã, uma bocarra! E realmente o zoo era enorme, uma diversidade de animais do mundo, não deu tempo de vermos a parte de aquário, onde tinham os pinguins. E no final do passeio resolvi levar minha sobrinha nas costas, tô com dor até agora!
E a moça de boina era mesmo brasileira eu e o Henk conversamos com o casal que mora na Alemanha, há 02 anos, também gostaram do zoo.
Depois fomos para a cidade jantar num restaurante, tempo bom, mesa na rua, olhei o cardápio e escolhi um bife! Todos escolheram um prato com carne, legumes e verduras, além das batatas fritas. Comemos muito bem e deve ter custado bem caro! Minha sogra proporcionou um dia maravilhoso, me diverti muito!


Neste sábado minha sogra reuniu a família para ir ao zoológico, queria comemorar com todos os seus 70 anos, mas num zoo, estranho? E disse que iria pagar tudo desde as entradas até a comida, isto para um holandês é bem difícil!!! Eu não gosto de zoológico, quando trabalhei como professora levava meus alunos sempre, acho que enjoei! Combinamos de nos encontrar por volta das 11:00 horas na entrada, eu e o Henk chegamos atrasados como sempre e minha cunhada chegou depois com o marido e minhas sobrinhas sapecas.

O ingresso custava 17 euros por pessoa, 15 por criança, fora o estacionamento, caro demais!!!! E no caminho vejo pinguins em madeira, borboletas na ponte, tudo para encantar as crianças. Entramos e fomos logo para o restaurante tomar um café reforçado, mas eu já tinha me prevenido e comido uns pães em casa, acabei comendo uma torta de maçã por gula!

E lá vamos nós, o primeiro lugar, parecia uma pequena floresta tropical, quente que até embaçou minha máquina, era um viveiro tropical de borboletas, com plantas que florescem grande parte do ano. Bastante fotográfos com máquinas e tripés tentando tirar uma foto do momento mágico da borboleta e a flor. Andavámos e as borboletas pousavam em nós, li que é o único que existe, chique né?!

Os animais do zoo estavam divididos em: África, Europa, América, Austrália e Ásia.
Depois fomos para a parte da África onde vimos os animais de verdade e sempre tinha uma sala com exposições, animais empalhados, informações dos animais, fotos e algumas vezes jogos para crianças.O bom do zoo é que você pode reparar como as crianças observam os animais, às vezes com medo, outras mais empolgadas, é muito engraçado!

E as aulas estão indo "de vento em popa", a propósito eu estudo quatro dias no período da manhã e um dia à tarde é bom porque posso dormir um bocadinho mais. Tenho tentado correr durante a semana, mas tá difícil!
E os colegas são bem legais, no começo da semana durante a pausa ofereci bolachas para todos e algumas meninas disseram que não podia comer por causa do "Ramadan". Cheguei em casa, pesquisei na internet sobre o que era o "Ramadan", só sabia que tinha jejum, mas pude me interar mais sobre o assunto e se você quiser ver também http://www.business-with-turkey.com/guia-turismo/jejum_ramada.shtml
Interessante que preciso tomar cuidado para não desrespeitar as outras culturas, por exemplo no Brasil nós temos mania de conversar pegando nas pessoas, não posso fazer isto com os meus colegas dos países ligados ao islã, peguei no braço do meu amigo do Iraque e ele disse que isto só poderia com pessoas que tem mais proximidade, não é o meu caso.
E aprendi falar algumas palavras em árabe e escrever meu nome também é uma troca de culturas. Mas durante o intervalo ganhei um doce marroquino, parecia uma massa de pastel pequena, com muito óleo e doce, experimentei e não gostei, mas fiquei encabulada de jogar fora, fui comendo e bebendo água para descer.

Outro dia uma colega levou o álbum de fotos de casamento, ela é marroquina, o que achei diferente foram as mãos e os pés pintados com desenhos feitos com henna, os vestidos luxuosos, que ela trocou sete vezes, os adereços nas mãos, na cabeça. Gentem! Muito diferente, era um ritual, achei muito bonito!
E minha colega da Síria, minha preferida, todo dia me traz balas, doces, coisas gostosas, tô ficando mal acostumada. Ela mora aqui já uns 05 anos e tem um filhinho lindo!

E fizemos a primeira prova escrita, fiquei um pouco triste porque tirei 95 a prova valia 100. Se eu acho tão fácil deveria ter tirado a nota máxima, será que depois de velha quero ser uma CDF?! Porque eu nunca fui! Descobri meu erro, quero fazer logo, entregar rápido para fazer os exercícios extra, a pressa é inimiga da perfeição! A única a tirar 100 foi minha amiga da Síria, que não errou nada! Da próxima vez vou mais devagar.
O curso da universidade é diferente na minha classe tem apenas 05 alunos, talvez aparecem mais, vou descrever: uma mulher da Síria que já mora aqui 35 anos e fala perfeitamente; um rapaz de Gana mora aqui há 05 anos e fala bem; uma alemã que mora há 04 anos e fala muito bem, mas com sotaque alemão; um senhor que mora aqui há 06 anos e fala com dificuldade e eu que ainda tô no começo perto dos outros alunos. E a professora começa com uma entrevista, depois exercícios do livro, perguntas, justo pra mim??? Eu me perco um pouco nas respostas e ela repete, me sinto a "café com leite do grupo" e agora leitura. Gentemmmm, eu não acredito mas a mulher que está aqui 35 anos tem dificuldade para ler, parece que não reconhece as palavras que fala, estranho. Na vez do rapaz de Gana é muito pior, ele não lê quase nada. O outro senhor que fala com dificuldade lê perfeitamente. Eu achava que era impossível uma pessoa falar bem e não saber ler, mas isto acontece. A cada dia meu vocabulário vem aumentando, isto é bom!

Amigos por enquanto nenhum, mas colegas bastante. Quando cheguei na Holanda, me falaram que os brasileiros eram os mais desconfiados, achei um exagero. Mas é verdade, o que será que faz os brasileiros distanciarem-se dos outros brasileiros por aqui, medo? Mas medo do quê? Desconfiança? Eu não entendo, espero no passar dos anos não mudar de opinião e ajudar com minha experiência os outros brasileiros que chegarão, dar um pouco de esperança e dizer que tudo é uma fase que com certeza irá passar e dias melhores virão!
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