
Então um amigo do Henk me indicou para trabalhar em uma creche, eu nem perguntei o que eu deveria fazer, porque o objetivo neste momento é sair de casa! Ele conversou com a diretora da creche que eu não falava bem holandês e estava deprimida em casa sem fazer nada. Ela pediu que eu ligasse para marcar uma entrevista, mas justo ligar?! Eu não me comunico bem, pedi pro Henk ligar e ele disse que eu deveria tentar. Acho mais fácil ao vivo e a cores, porque se faltar alguma palavra eu vou gesticulando.
Peguei um papel treinei algumas frases, falei pro espelho e depois liguei, me disseram que a diretora não estava. Liguei no dia seguinte e ela também não estava e a outra mulher disse: -Eu posso te ajudar? E lá vai eu com o meu holandês capenga tentar explicar que quero fazer serviço voluntário, eita dificuldade, mas finalmente consegui marcar uma entrevista.
No dia da entrevista eu não tava nervosa porque o máximo que poderia acontecer era receber um não! Conversei um pouco, conheci o lugar que parecia uma escolinha particular e prontifiquei-me a ir dois dias na semana. Então me passou pela cabeça... O que vou fazer aqui? Só faltava ser faxina!!! Tô ferrada!
No meu primeiro dia, a moça que iria me ajudar com o serviço saiu mais cedo. Apresentei-me para as professoras durante a pausa, tentei conversar, me senti um peixe fora d’agua. Então recebi um papel com minhas tarefas e não consegui entender tudo ( Cadê meu dicionário?). Fiz coisas muito simples, como trocar o lençol dos berços, ajudar servir o lanche, levar as crianças ao banheiro. Eu tava me sentindo tão útil! A minha dificuldade foi lidar com as máquinas: de lavar, de secar e de lavar louças, tomei um baile. Eu não podia ficar perguntando toda hora pra diretora da creche que estava de muletas, mal podia andar e fui fazendo sozinha. Arrumei tudo na máquina e fiquei procurando o botão de ligar, depois não achava o local do sabão... Mas consegui fazer tudo direitinho por intuição. E por último eu podia ficar nas salas observando as crianças que tinham no máximo 03 anos.
Meu primeiro dia foi tumultuado, porque eu não sabia onde guardar as coisas e fui abrindo todos os armários para ver, procurando coisas. Mas o dia passou numa velocidade, quando vi já era 05 horas e voltei pra casa toda contente.
No segundo dia tinha umas dez caixas de fraldas para guardar, eu tava ajudando a outra moça e a diretora me chamou e disse que tinha outro emprego pra mim. Eu não entendi direito, só sei que fiquei triste porque tava gostando dali e comecei a pensar o que eu fiz de errado. E ela toda gentil me dizendo que ali eu não tinha muito contato com as crianças e fazia mais trabalho braçal. Fiquei muito desconfiada, parecia um namorado falando das minhas qualidades, que eu era muito boa e logo depois me dispensando. No final do dia fui pra casa com o coração despedaçado, uma vontade de chorar e fiquei pensando... Nossa! Nunca fiquei tão pouco num trabalho, acho que perdi a prática.
Em casa eu tava toda tristinha, foi quando o Henk chegou e me disse: - Amor, eles gostaram muito de você! Disseram que você tem iniciativa e fez tudo no primeiro dia sozinha sem ninguém falar nada, por isto te indicaram para outro lugar. Gentemmmm, chorei de alegria! Então eu tava sendo promovida? Esta foi a promoção mais rápida que tive. Agora é ver o próximo passo!
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