O primeiro dia de trabalho

 

                                  

E como diz o velho ditado:"Depois da tempestade vem a bonança." Já sabem que gostei bastante do novo local e a professora é bastante simpática e paciente.

Vou dizer o que faço, tá pronto pra ler? Fomos buscar as crianças (04 até 9 anos) na escola, que me olharam com surpresa. A professora me apresentou para a turminha e no caminho de volta eu toda preocupada porque eles dispararam pelas ruas, mas ainda bem que pararam na calçada esperando todo o grupo para atravessar. Olhando por este ângulo parecem uns anjinhos.

Voltamos para a brinquedoteca, todos sentam-se à mesa para comer um lanchinho. Engraçado que desde de pequeno aprendem a dividir as coisas, são alguns pratos com frutas, cada um pega um pedaço e passa o prato e assim até acabar. Uma menina perguntou meu nome e outra criança disse que eu não sabia falar holandês. Então eu disse que sabia falar um pouco de holandês e bastante português. E perguntei pro menino se ele sabia falar português, foi engraçado.

Depois do lanche as crianças escolhem os brinquedos e eu fui me enturmando, lógico que com as meninas é muito mais tranquilo, mas os meninos correm e estão sempre agitados. Comecei brincando de boliche, depois carrinho, joguinho da memória e resolvi ir para quadra jogar futebol com os meninos. 

A tarde tem mais um lanchinho com biscoitos. E eu preciso perguntar o que querem beber e comer. Eita dificuldade, mas tô treinando  o idioma. E quando falo errado, as crianças maiores dão risada e depois corrigem-me. Gentemmmm,  mas "falam mais que o homem da cobra", às vezes não entendo e preciso recorrer a professora. Mas acho que são bem educadas, escutam o que você fala, creio que os pais holandeses estão mais presentes na vida delas.

E assim o tempo passa voando, os pais chegam para buscar os filhos e apresentam-se para mim. Ai que frio na barriga! Perguntam se vou trabalhar lá o que vou fazer. E digo que não falo muito bem e talvez o trabalho voluntário melhore meu idioma. Eles acham muito bom, melhor ainda quando conto que venho do Brasil. E acabo descobrindo que tem um menino que a mãe é de Portugal, quando ela vem buscá-lo conversamos um pouquinho.

Puxa vida! Quando estamos no meio da tempestade não acreditamos que dias melhores virão, mas valeu a pena esperar! Estou aprendendo com o tempo a dar valor as pequenas coisas e neste momento estou saboreando minha conquista!

A tempestade

 

                          

Então ficou combinado que eu começaria na quinta feira `a tarde. Só que neste dia o mundo tava caindo por aqui, ventos fortissímos, chuva fina e resumindo uma tempestade. Mas eu pensei que não poderia faltar logo no primeiro dia, porque ia parecer desinteresse. Após a aula dei uma passadinha  rápida em casa e fui pra lá, quase sem coragem por causa do tempo horrível, o resultado foi que cheguei toda ensopada e com frio. E a moça me disse: -Ah! Desculpa eu não tinha seu telefone para ligar, por causa do tempo as crianças ficaram em casa hoje! Deu uma raiva danada, uma vontade de xingar, mas tudo bem. Voltei pra casa, molhei o resto que estava seco e quase não conseguia pedalar  por causa do vento.

No dia seguinte o tempo estava bem melhor, quando cheguei no local a mulher não sabia o que eu ia fazer lá, nem eu  e me mandou para casa. Eu queria dizer um monte de palavrões e descarregar o ódio que tomou conta de mim, mas não consegui extravasar e fiquei mal, tentei segurar o choro, mas quando peguei minha bicicleta para ir embora as lágrimas desceram. Sabe?! Me senti perdida, triste, desiludida, no meio de uma tempestade... E fiquei pensando como podem me tratar desta maneira. E nesta hora vem as comparações, se eu estivesse no Brasil, faria isto ou aquilo. Definitivamente eu não queria voltar pra casa e fui me consolar com minha amiga tailandesa. Resolvemos ir ao centro da cidade para espairecer, foi melhor assim. Tocou meu celular e era a diretora da escolinha pedindo mil desculpas pelo acontecido e que eu começaria na próxima semana. Quer saber a verdade eu já estava desmotivada!

A noite contei para o Henk que ficou com raiva e queria ligar para tomar satisfação, mas fiz ele desistir desta idéia. E afinal de contas eu quero trabalhar, aliás preciso começar de algum lugar e se for com crianças melhor ainda, volto as minhas origens. Meu primeiro emprego no Brasil foi como babá de 03 crianças, eu também era uma criança, tinha 14 anos e depois fui trabalhar em uma creche. Tenho bastante experiencia.

Na quinta feira passada eu fui conhecer o local acompanhada da diretora, é mais perto do que o outro local, foi reformado a pouco tempo e a mobília  é toda nova. Gostei muito! É uma brinquedoteca com muitos joquinhos, massinhas, playmobil, livros,  folhas para desenhos, colagens, carrinhos, bonecas e também playstation. Gentem, eu fiquei boquiaberta, porque cuidei de crianças com muito menos recurso do que estes. Lógico que tem a desvantagem de não conhecer as brincadeiras típicas da Holanda e ainda não falo direito, mas criança é igual em todo o lugar do mundo.   

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